Já fui chamado de louco várias vezes mas nunca me importei pois sempre soube que não era verdade, mas agora não tenho tanta certeza, talvez eu esteja sonhando, ou talvez eu finalmente soltei o último fio de insanidade que possuía. Sim, deve ter sido isso, até porque, quanto uma pessoa pode aguentar até atingir a completa insanidade?
"Tá, mas porque tu acha que está louco, Luciano?" Ah, sim, simples: Tudo começou hoje no finalzinho da tarde, eu estava conversando com os meus amigos, ouvindo música, assistindo o novo episódio de uma série que acompanho, e no twitter (claro), quando tudo começou a desabar sem nenhum motivo aparente. Nossa Luciano, você é muito dramático.
Em questão de minutos eu comecei a desabar, senti algo dentro de mim dar várias cambalhotas e senti o coração apertado. Mas espera, eu já estou live dos problemas psicológicos que costumava ter, então isso deve ser apenas uma recaída e em questão de minutos vai passar, sim, vai, certo? Errado.
Comecei a me sentir cada vez pior, logo senti as lágrimas escorrerem dos meus olhos, todos estavam animados mas eu não conseguia ficar, então resolvi pensar em coisas boas mas tudo que vinha na minha cabeça era que eu era um fracassado, um lixo em forma humana, ignorado, odiado, falso, tão ruim e insignificante que as outras pessoas sentem nojo de mim. Pensei isso tantas vezes que já quase aceitei que o meu lugar não é aqui, já me castiguei por ser quem e o que sou, vários cortes, várias lágrimas e nada conseguiu me consertar.
- Calma, não chora. - Falei pra mim mesmo - Vai ficar tudo bem.
Senti calafrios e de repente fiquei arrepiado.
- Luciano? - alguém sussurrou em uma voz familiar, minha própria voz mas um pouco diferente. Me virei para ver quem era e lá estava eu, o meu eu de aproximadamente 8 ou 9 anos eu não saberia dizer de certeza, sentado em minha cama, olhando para mim com olhos castanhos curiosos, vestido em uma calça jeans azul escuro e um casaco laranja com a estampa de um skatista - eu lembro bem daquele casaco, minha roupa favorita, odiei ter que abrir mão dele quando ficou pequeno para mim.
Fechei os olhos, contei até 10 e abri, "eu" continuava lá sentado olhando para mim e sorrindo, foi então que eu tive certeza do que falei no começo desse texto, soltei o último fio de insanidade que possuía.
- Ei, você tá sentindo alguma coisa? Dor de cabeça? - ele, eu, me perguntei.
- Não, eu tô bem, quer dizer, não, não estou com dor de cabeça - Respondi - Mas com certeza estou com alguma coisa.
- Ei, quantos anos nós temos agora? - Ele perguntou.
- Tenho, temos, quero dizer, 16 - Gaguejei - Olha, o que tá acontecendo?
- Nada, só vim saber mais do que acontecerá comigo - ele disse com um sorriso enorme no rosto.
Fiquei em silêncio por algum tempo, ficamos nos encarando.
- Se queria saber do nosso futuro, por quê você não seguiu um pouco mais? Para questionar o Luciano adulto sobre nossa vida? - Perguntei
Ele não respondeu, apenas me olhou seriamente, os olhos molhados como se a qualquer minuto fossem derramar lágrimas.
- Você não está bem, está? - Ele riu


Nenhum comentário:
Postar um comentário