29 de maio de 2013

 Sabe,  tenho 16 anos e na minha, humilde e não importante, opinião ainda sou muito novo para ter todos esses problemas psicológicos e físicos que tenho. Me sinto confuso, desprovido de amor próprio, tenho medo do que virá a acontecer comigo quando for mais velho, quando não tiver mais ninguém ao meu lado para me apoiar, quanto as coisas resolverem ficar muito pior do que estão.
 As pessoas me perguntam o porque de eu fazer o que faço, de sentir o que eu sinto, de pensar o que penso e isso apenas me deixa mais confuso, como posso explicar minhas mudanças de humor repentinas, minhas crises existenciais e minha constante falta vontade de viver? Como eles entenderiam que correr uma lâmina em meus braços várias e várias vezes me faz sentir bem se eles não se sentem como eu sinto?
 Muitas vezes antes de dormir as pessoas pensam naquela pessoa que elas amam mas eu penso em formas de suicídio, fico imaginando as cenas e os passo a passo para realizá-los, então eu penso na cena em que alguém encontraria o meu corpo e o desespero das poucas pessoas que me amam e se importam comigo e isso me faz desistir de fazer qualquer coisa que tenha se passado pela minha mente.
 Eu tento não me cortar, lembro de todos os conselhos mas então eu perco minha cabeça, não suporto mais a pressão psicológica que coloco em mim mesmo e acabo voltando a praticar esse ato que é visto por muitos como uma forma que aberrações usam para chamar atenção, a famosa auto mutilação. Pois bem, talvez eu realmente esteja tentando chamar a atenção, um grito surdo de socorro, uma súplica por ajuda.
 Me sinto mal, me sinto errado, me sinto como se não pertencesse a esse mundo, a essa cidade, me sinto cansado de ser chamado de louco, de pessoas me julgando, de me sentir só, esquecido, odiado, pouco amado. Me sinto como se não tivesse mais nada para fazer aqui, que não sou bem vindo, que tudo a minha volta está desmoronando, que eu estou desmoronando, mal consigo me manter em pé.
 Finjo estar bem todo o tempo quanto estou na presença de outras pessoas e isso cansa, ninguém consegue imaginar o que sinto e eu não seria capaz de descrever o que exatamente se passa comigo mesmo que tivesse um conhecimento de todas as palavras de todas línguas existentes.